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sábado, 21 de julho de 2012

Dionisismo

Eu bebo pra correr sem pressa.
Por não ter onde ir e estar sempre só sem estar sossegado.
Pra encontrar o anti-eu e me reconciliar comigo mesmo.
Para ver o tesouro do outro e comungarmos o instante já.
Eu bebo para me embriagar.
Com calma e depressa dar chão à emoção
Colocando a razão no seu devido lugar.
Pra correr e correr por não saber como e o que fazer.
Por não querer e nem poder me adaptar.
Eu bebo por não ter como escapar.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Entre a dor e o aborrecimento

Algo em mim só se cala depois de dito.
A inquietação ansiosa só alivia depois do feito.
Dito e feito; não me satisfaço.
Hão de ter outras palavras.
Hão de ter outras ações.
Que só se calarão depois que eu as disser.
Que só me deixarão em paz quando eu as fizer.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O Pensamento Selvagem

Sou um selvagem nessa civilização burocrática.
Falo comigo e com eles em uma língua cuja eu não escolhi.
Um pré-letrado alfabetizado via adestramento.
Meu primitivismo me limita por fora
mas me expande por dentro nessa cultura da qual não pertenço.
Esses valores dessas sociedades quentes nada ou pouco me dizem.
Essas instituições não me refletem, não me representam, não me agregam.
Elaboro meus mitos escondido na coxia desse teatro vaudevilliano.
Desenvolvo minhas práticas tribais com os semelhantes que encontro pelos caminhos dessa existência consciente, opressora e marginalizada.
Sempre relativizando e nunca relativizado.

Parto do ponto em que surgi aqui:

De lá pra cá, por algum motivo, essa atmosfera da ordem, dos papéis, das igrejas, das famílias, da academia e de tudo que não é livre, não me infectou.
De lá pra cá tudo quanto é pacto, convenção e construção me foi forçado goela abaixo sem antes me consultarem.

Eu vejo tudo de fora e não sinto o que eles sentem.
Desse lado da margem, eu sinto coisas que eles não vêem e por conseguinte não entendem.

Essa tal civilidade
À Liberdade
Essa hipocrisia
À honestidade

Está quase tudo errado segundo meu pensamento selvagem.
E eu só tenho a Arte, alguns amigos e uma caneca de vinho pra viver, sentir, expressar, criar e muito amar nesse mundo que não é de verdade.

Sou um selvagem nessa civilização burocrática.



Para Lívia Britto

terça-feira, 24 de maio de 2011

Gases nobres e plebeus

No que ele adentra e no que ele sai, dá-se a respiração.
Alimento de vento
Um banquete de nada
O elixir do vazio
Sem gosto, sem cheiro, sem cor
De graça.
Amorfo, invisível e volúvel

Enche e esvazia, esvazia e enche
o ar entra e sai
e o corpo apodrece

Esvazia e enche, enche e esvazia
o ar sai e entra
e muito e pouco acontece

Inspira e expira
Inspira e expira
Inspira e expira

Em tempo!
Esse vai e vem um dia acaba
e tudo volta a ser nada.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Outsideorismo

Rosa negra do campo
Erva daninha dos mares de bálsamo
Mato que surge sem/e nas eiras e beiras e rachaduras
Grande mistério que se intromete sem prévio requerimento

É praga, é podre, é puta

Ser vivo inflado pela brutalidade ao redor
Porção biológica condenada à solidão
Células unidas n´um mar de inorgância
Cresce só e sem convicção afim de dominar a paisagem

É desprezível, é dispensável, é diferente

Negra rosa do campo, seu dia chegou
Adeus.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Superpowerless

Existe algo de misterioso em algumas forças de vontade que nascem já destinadas à serem podadas. Um aroma de frustração polvilhado com bom demais pra ser verdade.
Uma outra parte adquire fluidez ou só se deixam aparecer no espetáculo, omitindo a produção e o making of. Se te deixares se aperceber desse fato estás então à beira da neurose, de modo que o acaso muito ajuda e nem sempre atrapalha. E se então se prender no mérito do controle mais do que do resultado então não vale tanto à pena assim.
Se quer amar e não pode por não correspondência, quisera matar e a lei de "deus" ou a dos homens impediu. Quis ir embora mas e as raízes? Tentou morrer mas teve medo.
Algumas forças de vontade nascem já destinadas à serem podadas.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Você já teve medo de enlouquecer?

Um dia escaldante. Uma tarde de luz. Tudo brilha e se opaca à luz do sol refletida em metais e corpos banhados a suor. O objeto está em uma estação de trem. Metade do dia correu, a outra metade precisa ser corrida em direção ao final da linha e dali tomar forma da outra metade. O trem chega e o objeto entra. Eis que a viagem começa. Essência de eucalipto viria a calhar naquela caixa quente de metal. O calor queimou o ar e só restava aos outros fumá-lo enquanto não se chega. Outras opções são oferecidas e usadas com frequência. Por exemplo: Do lado de onde o objeto se senta, um senhor pôs-se a cantar hinos ecumênicos. À sua frente umas senhoras fazem tricô resistindo à vontade de secar o suor com o novelo de linha. Água, Coca-Cola, cerveja e picolés devem servir como paliativo no inferno, porque ali funcionavam bem e todos pareciam tranquilos. A vida deve ser vivida, apesar de tudo. A pressão de completar o outro hemisfério do dia bem, já que tudo tinha dado errado até então. 40 horas sem dormir. Excesso de cafeína. Má alimentação. E algumas preocupações em quem se habituou a não se preocupar com nada. Instalou-se o caos. Não dentro do forno-vagão ou vagão-forno, esse segue resignado apesar de tudo depondo contra ele. Instalou-se o caos foi dentro do objeto.

Alguma vez já experimentara o sentimento de estar vivendo um filme ou vivendo sua vida de fora dela? Chamam isso formalmente de despersonalização. O fato é que o restante do dia não pressionava sobre o corpo abatido do objeto, mas podia. E a possibilidade grande é verdade absoluta em horas de paranoia. Paranoia muda tudo, faz as mãos suarem frias, faz o coração bater rápido, faz o objeto desconfiar de tudo e de todos e até inofensiva mosca pode ser um perigo em potencial. O peso do mundo nas costas e uma ansiedade inexplicável. Os rostos das pessoas continuam tranquilos, não há motivo para pânico. Relaxa. O senhor continua a cantar seus hinos ecumênicos, isso alivia e irrita o objeto. “Canta porque sente demônios em mim e quer se proteger e me ajudar, não ando com boas energias. Mas o que é que estou falando? Não sou desses dessas coisas”. E o mal estar agora é paranoia própria do episódio ou cansaço físico? “Posso desmaiar aqui, posso morrer.” Bem, de uma forma ou de outra esse dia chegaria e a dor da alma fica tão aguda uma hora dessas que assim melhor seria. Esse é um pensamento que ajuda o objeto a se acalmar. Mas o subconsciente tem seus truques de manter seu quadro de pânico. “E se eu perder o controle? E se eu fizer coisas só para me contrariar? E se eu não conseguir mais fingir uma sanidade que talvez nem exista?”. Isso é bem pior que a morte do objeto, já que viveria preso em alguma clínica psiquiátrica ou preso em um quarto com medo da própria sombra. O objeto precisa se concentrar e seguir a viagem, o objeto pensa em voltar para casa, o objeto acha que vai passar, o objeto não acha que vai passar e quer conversar com alguém, quer desabafar e depois desabar. O objeto quer que não reparem nos seus tiques que não possui, mas que na hora, parecem todos perceber e olhar e pensar “Louco.” O trem parou. Não tem para onde correr. Começa a contar. Se contorcer de ansiedade. Medo dos próprios pensamentos, medo de ser mais um perdido para o mundo psicótico. O trem volta a andar. “Desço na próxima estação e volto pra casa ou aguento mais um pouco que isso passa?”. Chegou. Hesita e a porta abre. Faz que vai, mas não levanta. A porta fecha. Era pra ter ido. Vai ficar tudo bem. A porta abre de novo e ele corre dali. Vai pra rua, cai a chuva de verão do céu e uma explosão de choro dos olhos dele. Pelo menos veio a calma, a paz e o alívio de uma dor inexplicável.

O objeto vai para casa sem saber o que aconteceu, mas com medo de que aconteça de novo.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Linnie McCallister: Kevin, you're what the French call "les incompetents."

Tenho praticamente a faca e o queijo na mão, veja bem, vizualise mesmo, guarde essa imagem. Eu costumava saber das coisas que eu desperdiçava, mas isso era antes. O lamento indicava esse pesar. Mas o monento agora é outro porque acordei cru, oco e sobretudo descrente mas decidido a me engajar nesse processo de jogar tudo pela janela. Tudo que passava despercebido agora se submeterá à minha lupa infernal. O propósito ainda está em aberto, mas a julgar pelos e com os ânimos de então, tudo aponta para um masoquismo físico e emocional. As vontades às vezes vêm em ondas e de repente não valem mais a pena se não há impulsividade. E isso é para o bem ou para o mal. Não sinto falta de nada, as minhas necessidades descontextualizadas são nulas, é sempre um sentimento em relação a outros sentimentos. Se houvesse só um momento em que fosse capaz de isolar tudo de forma saudável então me sentiria bem, por pelo menos enquanto ele durasse. Não sei o sentido disso tudo, mas sinto que é o mínimo que se possa fazer, ou mesmo um pedido de desculpas por uma eternidade de omissão.

"If I could have it back
All the time that we wasted
I'd only waste it again
If I could have it back
You know I'd love to waste it again
Waste it again and again and again"

The Suburbs
(Continued) - Arcade Fire

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

If you´re feeling sinister...

É tanta coisa para sair daqui que me engarrafo, me confundo e por vezes me sufoco. Eu falo para as coisas seguirem devagar, quero colocar meus entendimentos em fila indiana e então contá-los, ponderá-los e os permitir ou não uma ação. Mas os departamentos se misturam, as imaturas querem sair primeiro, zoneiam o processo aqui de dentro. A quantidade opressiva também não me ajuda e o lixo, Ah! o lixo... com certeza isso é um atraso de vida. Quão fabulosa velocidade e vigor! Me olhando de fora me sentiria lisongeado, mal sabendo a bagunça acima do pescoço. Se aquietem, me ajudem, uma por uma e cada pobreza de espírito na sua devida lixeira, hão de ser recicladas! Do jeito que está sinto que não vou muito longe, achava que precisava de organização, mas não é só disso, não sei mais de nada, alguma coisa precisa ser feita enquanto o tempo já urge há tempos.

domingo, 29 de agosto de 2010

You´re sleeping in a submarine...

Quando chegava a hora de dormir, Bernardo se concentrava em baixo dos cobertores. Se fechava no seu sarcófago e testava se a luz estava tão preta da mesma maneira em que seria se fechasse os olhos. Nunca tinha ocorrido que a escuridão ou os olhos fechados não fossem tão negros quanto uma folha de papel preta, pura, límpida e uniforme, mas interrompida por mínimos pigmentos de branco ou cinza. De quando em vez a imaginação atrapalhava também, e projetava no escuro os personagens próprios dela, as pessoas da sua cabeça, as cores do dia seguinte ou do dia que passou, como a tela de um cinema falido. Mas o que sobrevinha de fato era a sensação de pausa, de como bom seria interromper a vida um instante sob o calor dos edredons, envolvido pelo mantra moderno tropicalista vindo do refrigerador de ar. Afinal, o que apreciava tanto naquela pausa? Um tempo da vida ou uma morte reversível ou as duas coisas? O fato é que sempre que quando essa hora chegava, desejava ele durar mais alguns momentos, dias, anos, séculos. A pesagem pendia mais para a procrastinação da vivencia futura do que digestão da vivência passada. Tudo isso era uma fantasia, não se pode morrer só um pouco e nem adiar o dia seguinte eternamente. E depois o que fazer nesse interim? Viver como um vegetal? Ficar preso no limbo que antecede o dia seguinte feito um zumbi, cada vez mais doente e perdido nos próprios pensamentos? Esse ponto era crucial, porque refletia a desistencia dele em relação à pausa e consequentemente entrega ao mundo de Morpheu. Passado algumas horas, percebidas como cinco minutos, Bernardo então se levantava e ia viver sua vida da melhor ou pior maneira possível. Cabendo ao quesito indecisão, só, e somente ele, mediar o meio termo entre esses dois polos.

domingo, 15 de agosto de 2010

Anguish

A angústia não tem dono.
Volúvel, hoje é por isso para amanhã ser por aquilo.
Sem previsão. Sem escapatória. Sem culpabilidade.
Convive-se com ela. Aceita ignorando-a e/ou embebedando-a.
Cobranças, nostalgia, comparações e estimativas
Mesmo na ignorância e especialmente na ignorância.
Lá cogita tudo que foi e não é, ou que poderia ser e não será.
A paz é química, alienação ou negação.
Pessoas tranquilas não existem.
São invenções da publicidade dos fabricantes de cereais e de benzodiazepínicos.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Chelsea girl

Assisto aliviado de camarote à sorte que me foi dispensada.
Me sufocaria de frieza, impotência e tédio proposital
(Apesar de nunca saber quão interessante persona um dia fora)
Não é mais amor, nem obssessão patológica
Mas também não é ódio, apesar do frio na barriga ocasional.
Não convenci, mas me convenci. Eis a minha ventura.
O prazer agora é outro, muito embora não fuja à minha natureza.
Sou um voyeur esperando seu sucesso ou fracasso.
Daqui te olhando, quando nada melhor eu tiver para fazer.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Fobia Social

De onde vem toda essa vergonha?
E para onde vai esse rubor ou palidez de mãos frias e embrulho no estômago?
Vem do nosso umbigo.
Da nossa mentira interor que impulsiona a gente idealizada.
O complicado é não desconstruir essas imagem ou transparecer a podridão.
O risco do personagem vacilar se torna uma possibilidade real.
No remoer desse risco ele toma propoções gigantescas
Caso de vida ou morte
Uma questão de segurança nacional.
Essas pessoas não me podem fazer mal.
(repete mil vezes)
Não enquanto eu não tiver puro!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Teenage Angst

Onde fica o botão da abstração em mim?
Uns dizem ficar na cabeça...Mas dentro?
Outros afirmam que não, é no peito que ele mora.
Não acho de jeito maneira!
Já bebi inúmeras doses, fumei incontáveis cigarros
Engoli milhares de comprimidos,
E dediquei uma juventude no mundo de Morfeu.
Analistas não me fazem nem cócegas, já bati com a cabeça na parede.
Para hoje chegar a conclusão de que não tenho um botão desses .
Nasci com defeito.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

La douce humanité

Está ao meu redor. Confunde-se com a minha áurea. Minha indolência é leitosa. Forte por dentro e fraca por fora. Na cabeça planos e na vida sono

É literário esse estado de paixões, desejos e instintos. Platônico na essência.

Um dia Napoleão, no outro Machado de Assis e amanhã François Truffaut.

Tem coisa boa vindo e sou eu quem nota. A vida é boa, mas o sentido de percepção doente. A vida voa. Uma vida jogada fora não é uma vida jogada fora ao se perceber jogando-a fora.

Perdão aos africanos, aos indigentes, aos doentes, aos celibatários, aos presidiários, às vítimas de Hiroshima, Nagasaki e também Chernobyl. Mas por enquanto não posso gozar deste espetáculo.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Carta ao Sr. R. A. e à Sra. T.B.

Rio de Janeiro, 14 de Abril de 2010


Vocês esperam pelo pior. É visível nos seus olhos o pânico e a piedade compartilhada sem razão. O problema é que eu não posso os confortar. Meus argumentos sempre soam como justificativas cínicas, meras desculpas esfarrapadas e que reiteram ainda mais meu suposto desarranjo. Não os culpo, nem muito menos me ofendo. Pelo contrário, vejo nesse equivocado terror uma prova de amor involuntária e até mesmo irônica. Se fosse possível uma volta ao tempo, dessa vez mais cuidadosa, perceberiam que o pior não está por vir, essa fase, por enquanto, é passado até onde eu saiba. O mal de outrora, com certeza existiu de fato, entretanto despercebido ou vivenciado na negação, como se o debate o alimentasse. Por favor, entendam o meu lado. Estou numa camisa de força, em um carro a caminho de um manicômio. Se me debato, faço jus ao meu diagnóstico e veriam nisso a certeza de terem feito a coisa certa. Mas se por outro lado fico apático, dou provas de conformação de um estado no qual eu não me encontro. Como proceder nesse caso? O procedimento é não proceder. É difícil dizer que larguei essa loucura de mão. Nessa história não há culpados e nem vítimas. Talvez não haja nada. Pensemos no futuro. Use suas orações para que estejam realmente errados. Por mim, por vocês e por todos os outsiders do mundo. Mas nesse momento sou eternamente grato pela preocupação e espero sinceramente ser motivo de orgulho um dia. Amo e amarei vocês para sempre.


"Mother I tried, please believe me

I'm doing the best that I can.
I'm ashamed of the things I've been put through,
I'm ashamed of the person I am.

Isolation, isolation, isolation."

(Ian Curtis)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

I me mine, I me mine, I me mine

É o sono, a preguiça, a procrastinação
É a falta de viço, a oscilação de auto-estima, a inadequação
É o ceticismo, o pessimismo, a indiferença
É a matemática, o abismo, a doença

É a realidade adicionada a tudo isso que não permite ser quem eu sou.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Yo-ho-ho, e uma garrafa de rum

Se fosse o monstro do armário, me matava.
Levava tudo que para mim era importante.
E se enganaria.
Se tivesse vingança, menos mal.
A perturbação vem do laconismo e a indiferença.
E me perdoaria.
Se fosse escolher, seria um artista.
Te transformaria em personagem. Riria de você e de mim.
E quando acordasse estaria dentro de uma garrafa vazia de rum.
E os rins numa banheira me tiraria.

terça-feira, 16 de março de 2010

Schizophrenia is taking me home

Temos sempre pouco a dizer. Mas muita intenção de falar. Nossos pensamentos representados inevitavelmente em forma de palavras, blocos de conceitos, são ora concisos demais, ora prolixos demais. Ainda não inventaram um idioma que os represente como deveria. No papel ou no falar tudo se perde. O banal e o genial confundem-se na entonação, na escolha ou na recepção do que pensávamos transmitir. Não importa se boa ou má, nossas intenções parecem sempre vulgares, pueris, ordinárias e egocêntricas. Queríamos falar nossos pensamentos e não falar mais deles. Teorizar nossos sentimentos. Sistematizar o que nos agrada ou desagrada. Se nos falta coerência, isso certamente não é um problema nosso. Dentro de nós tudo faz mais ou menos algum sentido. Mesmo que por um milésimo de segundo.