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terça-feira, 9 de agosto de 2011

come to my backyard

Há algo na vida plantas de mais metafísico do que nas do reino animal. Nos parece muito óbvio que nós seres com pelos, mucosas, tecidos, e muito sangue, que emitem sons e que de uma mistureba dessas se possa obter, duplicar, aumentar ou, enfim, reproduzir vida. As plantas nos confunde a cabeça porque têm um refinamento que reside exatamente em não ter refinamento algum. Nascer no chão, no meio da terra, expostas ao sol e à chuva. E imóvel lá ficam elas sob o calor do meio dia e debaixo do gelado orvalho da aurora. A vida vegetal tem um aroma de improbabilidade. Nada mais aleatório acontecer, mesmo sendo a realidade apresentada, jogar um grão de feijão em um algodão molhado e dali misteriosamente surgir uma planta. Quem iria pensar nisso antes. A agricultura foi inventada por acidente e libertou a humanidade de uma vida cigana. Não os culparia pela falta de tato e nem posso, porque também sou humano. Aliás, é por isso que os entendo. A vida vegetal tem esse quê místico e laborioso de planos desconhecidos e incompreendido que a humana não tem. E é esse contraste com a vida humana relacionada diretamente aos vulgares livros de biologia que impressiona. Porque quando se pensa na semente se abrindo e virando um arbusto, uma árvore, igualmente descritas nos mesmos livros vulgares de biologia, não nos deixamos levar pela teoria por completo. Temos a certeza que a vida das plantas envolve outros saberes para além da biologia, como na verdade todo tipo de vida também envolve. Mas de alguma forma isso fica mais explícito em seres que se revestem de clorofila.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Para chatear os imbecis

Luz
Câmera
Criação

Preparar
Apontar
Arte

Não esqueçam de desligar seu desânimo e sua inércia
Essa sala tem portas anti-preguiça por todos os lados, no chão e no teto.

Fumem à vontade se assim desejarem.

Bom espetáculo.

segunda-feira, 14 de março de 2011

As cores do caos

O verde nunca poderia ser como o branco, porque o verde é a esperança.
Ele é um otimismo insconsciente para não se entrar em desespero.

Nem o amarelo e suas riquezas adjuntas à preocupação, ambição e insegurança.

O vermelho é tudo de importante e forte: O amor, O ódio, O sangue.
E a paz do branco é o singelo, a simplicidade, as sutilezas.

O azul não tranquiliza. Ele hipnotiza e quando se olha para o preto
logo se acorda para o luto, a sobriedade, o recato.

Em suma: Somente o branco poderia ser o branco.
Insípido, insosso, inodoro e de cor branca. Por isso o branco é a paz.
Que por sua vez tende à ausência, à passividade, ao tédio.

Nenhuma outra cor quer ou poderia ser o branco.
Porque e só e somente nas moscamortisses do universo que ele aparece.
(E ainda por cima encarde mais.)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Trago o ônibus amado em 3 dias

Amigo, o que fazer quando a espera pelo ônibus se encontra numa morosidade absurda? Digo realmente absurda! A ponto dos senhores trabalhadores depois de um dia de labuta, da mais alta nobreza do início da fila, se concentrarem em um ponto fixo, numa eterna espera, atingindo a plenitude, o transe, a comunhão com deus, o nirvana e quiçá a desencarnação em corpo e retorno do espírito e o ônibus nada de aparecer? Complicado, não é mesmo?
Aqui vai uma simpatia infalível para trazer o ônibus amado em 3 minutos:

Primeira tentativa: Acenda um cigarro e aguarde o mesmo queimar até a metade. Geralmente ele chega logo após a primeira tragada. Se for o último cigarro do maço o coletivo tende a aparecer na mesma hora!

Segunda tentativa: As coisas em uma metrópole não são fáceis. Você há de convir que são muitos os chamados divinos pela mais breve possível volta pra casa, não é verdade? Sem contar que o número de fumantes apesar da publicidade do ministério da saúde, só vem aumentando. Bom, nesse caso você pode apelar para uma compra de mercadoria barata com uma cédula muito superior ao preço do produto. De modo que, no embanamento do ambulante ao se ajoelhar e humilhar, pela troca de sua nota de 50 reais com seus colegas de ponto, como num toque de mágica faz aparecer nesse meio tempo no horizonte a Mercedes Benz que você tanto esperava. Essa etapa tem um plus de tensão e adrenalina.

Terceira tentativa: Essa é sua última chance! Porém não pense que se não funcionar você dormirá na sarjeta. Porque Deus é mais e ele está olhando todo o seu sacrifício nas primeiras tentativas! Tenha fé, pois a terceira tentativa consiste em investir uma falsa desistência da fila do tipo: “- Quer saber? Cansei! Vou de metrô mesmo!”, ou algo do gênero. Você não precisa ir embora de verdade, a menos que queira, é claro! Tudo faz parte do milenar ritual urbano, consolidado e sacramentado no renascimento comercial, cultural e urbano, lá nos idos séculos da idade média, nas feiras inter-feudais. No que você por o pé para fora da fila, uma buzina e um barulho de motor ecoará em seus ouvidos.

Uma vez cumprindo todos esses requisitos, eu acho muito pouco provável que o ônibus amado não apareça em 3 minutos. Entretanto, já dizia o profeta dos profetas Pedro Bial: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que presume nossa vã filosofia, meus guerreiros da casa mais vigiada do Brasil!”. E a condução por alguma razão pode acabar por não vir. Nesse caso, avalie sua vida, seus pecados, sua conduta e reflita por que Deus não te agraciou com tal benção. Sendo assim, meu amigo, vá de metrô cheio mesmo e boa viagem!

Experimente você também!
Esperamos ter ajudado.


Obs.:
Consta no manual das santidades empresárias de transportes públicos, que mesmo com muito empenho, tais chamados divinos não serão atendidos no que chama-se “Hora do Rush”. O que acarreta na inutilidade de todo esse ritual no horário referido. Casos omissos serão analisados pela comissão de cobradores, hoje em extinção, infelizmente, porém cumprindo essa tão nobre missão de julgar os apelos mais urgentes.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Desembucetei

Foi só uma cisma, um embucetamento
Um falso bater de pé travestido em verdade absoluta
Era psicológico, que como tal, reverberava em sensações físicas
Me mimei nesse capricho
Me insisti nessa teimosia
E eu mesmo me desconvenci
O ócio das vontades
A inércia dos prazeres
A opressão do vazio
Pura falta do que fazer, pura falta do que pensar, pura falta do que querer
(e o desejo)
Inventei o fazer, o pensar e o querer
(e o desejo?)
Não era mentira, mas também não era verdade,
Era como dizia, um embucetamento.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Venga

Menos poesia, menos realidade
mais realidade poética
surpresa boa, inverosemilhança, surrealismo real
menos solidão, menos multidão
mais mundo e loucura

A onda suave
o cheiro do novo
a saudade com horas contadas
o dinheiro achado no bolso do casaco fodido

Daí então,
anunciado na fusão (des)agradável desses quatro elementos:
nas águas dos cafés da tarde recém passados
nos ares daqui perfumados com mafu queimados
nas terras dessas praias poluídas
nos fogos requentando as comidas

Daí já vem.

domingo, 14 de novembro de 2010

É...

O que eu tinha pra falar eu me esqueci, mas agradeço a atenção de todos vocês por terem vindo nessa audiência, eu anotei tudo do dia de hoje em algum lugar mas não me lembro, acho que em um caderno pequeno, verde, que eu não sei onde está. Faz assim: Quem achar o caderninho verde lê em voz alta, ou melhor, quem achar eu pago um almoço. Assim vocês se distraem, não perdem seu tempo à toa vindo aqui hoje, e depois fazemos uma versão pocket da reunião sobre o que vim propor que eu nem me lembro mais o que é. Tá, mas enfim cadê o caderno? Tomara que esteja no caderno! Não, não, esse nem é meu e é vermelho, vai gente! Valendo um almoço-o-o-o 3, 2, 1! Cabou! Infelizmente ninguém achou nada, vejo vocês mês que vem, vou tentando me lembrar enquanto isso...Ou mesmo antes, ih já pensou se eu lembro descendo com vocês no elevador? Vocês subiriam de novo então? Ou quem sabe o caderno pode estar na recepção, vai ver deixei por aí...Se bem que nem tenho certeza se anotei mesmo, quanto mais naquele caderno vermelho, verde sei lá qual que é a cor mesmo?

sábado, 9 de outubro de 2010

04:30 am

Poste de luz
Ilumine meu caminho
Afugente os assaltantes
Na volta para o ninho
Que esse retorno emocionante
Noite adentro sozinho
Sirva de encontro lancinante
Com a última taça de vinho
Me leve embora daqui em diante
Prepare meu banho, minha cama e meu dia seguinte

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Bruno

Pisca os olhos, pisca de novo.
Quebra esse hiatus e revela sua positividade e viço.
Quero ouvir sua gargalhada
Seu jeito solto, seu olhar curioso, suas histórias de vida.
A sua música muda, seu filme fixo, seu sabor neutro.
No conforto do estar, me mostra por completo.
Há mundos desconhecidos, revele o seu.
Por trás desse sorriso, essa voz mansa, e essa vontade de viver.
Tem algo raro, das raras coisas do agora, que vale a pena tomar nota.
Quero ver você.
Apareça.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Só a bailarina que não tem...

Meus dedos percorrem o seu calcanhar
Há sustos, sorrisos e tremores
A ponta do dedão lateja e os pés se curvam
Tentam se fechar como fazem as mãos
Perceba as veias em profusão,
Bem como os calos e feridas sob curativos.
Ainda assim há graça e erotismo enquanto gira no palco
Quando tira sua meia, enrolando-a na perna, no fim do dia
E ainda mais quando respondem à essas carícias.

domingo, 12 de setembro de 2010

Neighborhood

Daí que ocorreu o seguinte: ela estranhou a ausência da gata ao entrar em casa e acendeu todas as luzes. A vizinha da casa em frente estranhou as luzes e o desespero dela acesos e chamou a polícia. O ladrão na casa ao lado da dela se assustou com a sirene e caiu arreganhado do alto de um muro e desmaiou. A velha da casa ao lado, ouvindo o estardalhaço, colocou fogo no sofá com uma guimba de cigarro ao ver o ladrão desmaiado pela janela. A polícia a par dos incidentes chamou uma ambulância para ele e o corpo de bombeiros para velha. Lá pelo meio da madrugada, lá volta a gata, segura de si, desfilando pela rua em direção à casa da sua dona, sob luzes coloridas das viaturas da polícia, da ambulância e do corpo de bombeiros.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

shuffle

- Você quebrou o ritmo!!!

- Não tem essa de quebrar ritmo. Era pra ser aleatório.

- Exatamente. Mas você padronizou.

- Mas na aleatoriedade estamos sujeitos a isso.

- Qual?

- Fazendo de forma aleatória é de certa maneira o ritmo.

- Não é bem assim.

- É sim. Se repetirmos isso eternamente se torna um padrão.

- Talvez você tenha razão. Mas como fugir dessa intenção?

- Acho que é só impedir que os outros percebam...

- Ah sim. Continua então!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Vida de inseto

Fico pensando no campo aos arredores do formigueiro. Porque veja, não são todas as folhas aproveitáveis ou ao menos desejadas por esse povo trabalhador. Ignoro se por nem todas serem tão saborosas, ou talvez algumas possam ser até mesmo indigestas. Mas A folha, com "a" maiúsculo, certamente tem um sabor especial. Ou talvez não. Workaholic como as formigas são, é capaz de rejeitar a pétala que cai na sua varanda, só pelo prazer da labuta em atravessar todo o gramado e percorrer o percurso de volta com 10 vezes o seu peso nas costas. Nunca vou descobrir o gosto dessas folhas. Não por não ser formiga e, por conseguinte, não ter papilas gustativas de formiga. Mas por admiração a esse grande sacrifício, que é para esses insetos saborear o manjar dos deuses. Sendo assim, faço um dueto com a cigarra e a contemplação já me basta!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Humour:Amour

Apenas um dia me dura o ódio
Os outros são só de amor
Capaz de nem todos os "uns" serem de ódio puro
Mas sim um ódio em estar amando
Ou talvez ódio por ciúme do objeto amado
Sou pesado para o amor me trazer leveza
Guardo algo que não existe
Guardo o contrário do rancor
Não entendo porque choro, grito, não como e nem durmo
Se em 24 horas serei amor de novo
Meu prato de vingança tem que ser servido quente
Do contrário perco o apetite
Não é memória fraca, é só coração mole
Não é sangue de barata, são só os outros amores
O ódio definitivamente não me completa
Só o amor.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Shirley Remédios precisa de ajuda!

Shirley expos num site de relacionamentos seus problemas. Ela tá precisando de ajuda e urgente. Repassem. Twittem, discutam no café da manhã com os amigos! O bicho tá pegando pro lado dela, mermão! Vamos ajudar!

"Tive alguns problemas com a polícia federal. Apurei umas notícias do dossiê gato preto e estou ameaçada de deportamento. Deram-me 2 semanas para sair do país. Para piorar meu infortúnio eu não tenho dinheiro suficiente para a viagem. O superior do departamento de serviços excepcionais sugeriu-me que eu me tornasse travesti e partisse para Itália. Ele inclusive me indicou um terceiro que se engajaria por mim desse processo e de todo o ciclo burocrático em volta. Entretanto, nasci mulher. De maneira que peço a doação de qualquer quantia para mudar para o sexo masculino com Roberto Rey, o dr Hollywood, depois virar travesti e só então partir para meu triste fim nos climas temperados da região de Toscana, na península itálica. Tudo isso em 2 semanas.
Conto com sua colaboração.

Shirley Remédios."

terça-feira, 16 de março de 2010

Schizophrenia is taking me home

Temos sempre pouco a dizer. Mas muita intenção de falar. Nossos pensamentos representados inevitavelmente em forma de palavras, blocos de conceitos, são ora concisos demais, ora prolixos demais. Ainda não inventaram um idioma que os represente como deveria. No papel ou no falar tudo se perde. O banal e o genial confundem-se na entonação, na escolha ou na recepção do que pensávamos transmitir. Não importa se boa ou má, nossas intenções parecem sempre vulgares, pueris, ordinárias e egocêntricas. Queríamos falar nossos pensamentos e não falar mais deles. Teorizar nossos sentimentos. Sistematizar o que nos agrada ou desagrada. Se nos falta coerência, isso certamente não é um problema nosso. Dentro de nós tudo faz mais ou menos algum sentido. Mesmo que por um milésimo de segundo.

sábado, 6 de março de 2010

U.F.O.

Look those kids there
Laying down on the beach
Why are they looking
for us?
Here in this spaceship
Whith Marte as neighboor
We can´t stay here
anymore


Hey, little demon
Do you see what I see?
Why did that light move
so slow?
Maybe it was a shooting star
or even a satelite
But I´m afraid it was
a U.F.O.

Please Mr. Alien
You can abduse me
But don´t make me pregnant
so soon

It was a pleasure
Dear human
But your son´s already born
on the moon

sexta-feira, 5 de março de 2010

I got dirty boots!

Por onde andaram esses sapatos?
Que chão pisara antes de te conhecer?
Em quem pisou? Poderosos, submissas, drogados, prostitutas, homens de família?
Por cima deles, inúmeras calças com barras puídas repousaram...
Eles não têm memória, esquecem de amarrar seus cordões.
Também não sabem se virar, em que buraco entrar e sair, de forma cruzada ou não.
Ignoram o que muitos queriam saber.
Na sua inocência, embaixo da cama depois de dias perambulando a esmo,
Não se deram conta dos ruídos, dos movimentos, dos gritos, espasmos e orgasmos.
Hoje, de solados gastos, eles vão pro lixo.
Sem me contar nada da sua vida.