De onde vem toda essa vergonha? E para onde vai esse rubor ou palidez de mãos frias e embrulho no estômago? Vem do nosso umbigo. Da nossa mentira interor que impulsiona a gente idealizada. O complicado é não desconstruir essas imagem ou transparecer a podridão. O risco do personagem vacilar se torna uma possibilidade real. No remoer desse risco ele toma propoções gigantescas Caso de vida ou morte Uma questão de segurança nacional. Essas pessoas não me podem fazer mal. (repete mil vezes) Não enquanto eu não tiver puro!
O tempo é um demônio. Nada tem de bondade nesse senhor que a humanidade atribui ações milagrosas e balsâmicas. Essas não são frutos dele, e sim do hábito. Ele é um sado debochado. Quando muito dele se precisa, ele se vai depressa. E nos menores instantes que seja de tédio ou mal estar ele se prolonga à eternidade. O tempo é um construtor de monstros, um destruidor de lares, uma borracha fraca, mas constante, de memórias. O tempo é um assassino. Levará com ele a existência de tudo e de todos para o limbo da não-essência.
Essa é a história de Celeste. Uma mulher que de tanto que engravidava, já tinha uma fila de bebês em seu corpo para chegar ao útero, sem que pra isso precisasse existir necessariamente copulação. Cytoleste era seu apelido, depois de inúmeros comprimidos de Cytotec engolidos. Todos eram nomeados por Celeste. O critério era ou a novela das 21 horas, ou um personagem de um filme ou às vezes a junção de “Celeste” com o seu atual romance. Cytoleste perdia peso, saúde, vontade de viver. Sempre enjoada parava na farmácia a fim de curar de suas náuseas.
- Tem muita criança aí, Celeste! Abre a boca! Estou vendo umas perninhas... - Celeste, toma rumo na vida! -Celeste, isso não é vida! -Celeste, amor da minha vida!
Cytoleste e seus bebês. Celeste e seus fetos disformes. Eles definhavam. A fila não se via mais final e Celeste estava perto do fim. Após sentir uma pontada na barriga e fazer um sinal da cruz, Celeste morreu com João na barriga. Não o primeiro, mas o terceiro e último João dos 55 filhos que cruzaram o corpo de Celeste rumo ao vaso sanitário.
Fico pensando no campo aos arredores do formigueiro. Porque veja, não são todas as folhas aproveitáveis ou ao menos desejadas por esse povo trabalhador. Ignoro se por nem todas serem tão saborosas, ou talvez algumas possam ser até mesmo indigestas. Mas A folha, com "a" maiúsculo, certamente tem um sabor especial. Ou talvez não. Workaholic como as formigas são, é capaz de rejeitar a pétala que cai na sua varanda, só pelo prazer da labuta em atravessar todo o gramado e percorrer o percurso de volta com 10 vezes o seu peso nas costas. Nunca vou descobrir o gosto dessas folhas. Não por não ser formiga e, por conseguinte, não ter papilas gustativas de formiga. Mas por admiração a esse grande sacrifício, que é para esses insetos saborear o manjar dos deuses. Sendo assim, faço um dueto com a cigarra e a contemplação já me basta!
Apenas um dia me dura o ódio Os outros são só de amor Capaz de nem todos os "uns" serem de ódio puro Mas sim um ódio em estar amando Ou talvez ódio por ciúme do objeto amado Sou pesado para o amor me trazer leveza Guardo algo que não existe Guardo o contrário do rancor Não entendo porque choro, grito, não como e nem durmo Se em 24 horas serei amor de novo Meu prato de vingança tem que ser servido quente Do contrário perco o apetite Não é memória fraca, é só coração mole Não é sangue de barata, são só os outros amores O ódio definitivamente não me completa Só o amor.
Onde fica o botão da abstração em mim? Uns dizem ficar na cabeça...Mas dentro? Outros afirmam que não, é no peito que ele mora. Não acho de jeito maneira! Já bebi inúmeras doses, fumei incontáveis cigarros Engoli milhares de comprimidos, E dediquei uma juventude no mundo de Morfeu. Analistas não me fazem nem cócegas, já bati com a cabeça na parede. Para hoje chegar a conclusão de que não tenho um botão desses . Nasci com defeito.
Entregue-se Dê vazão aos seus instintos Liberte-se Saia do pré-destinado caminho Revele-se Já conheço a imagem deste negativo Ame-se Obedeça às suas vontades Ilumine-se À luz do que já está claro Abra-se A vida não é eterna Analise-se O que está por dentro é o que conta Expresse-se Há ainda mais beleza e bondade Foda-se Não se interesse pelo o que eles falam
Está ao meu redor. Confunde-se com a minha áurea. Minha indolência é leitosa. Forte por dentro e fraca por fora. Na cabeça planos e na vida sono
É literário esse estado de paixões, desejos e instintos. Platônico na essência.
Um dia Napoleão, no outro Machado de Assis e amanhã François Truffaut.
Tem coisa boa vindo e sou eu quem nota. A vida é boa, mas o sentido de percepção doente. A vida voa. Uma vida jogada fora não é uma vida jogada fora ao se perceber jogando-a fora.
Perdão aos africanos, aos indigentes, aos doentes, aos celibatários, aos presidiários, às vítimas de Hiroshima, Nagasaki e também Chernobyl. Mas por enquanto não posso gozar deste espetáculo.
Vocês esperam pelo pior. É visível nos seus olhos o pânico e a piedade compartilhada sem razão. O problema é que eu não posso os confortar. Meus argumentos sempre soam como justificativas cínicas, meras desculpas esfarrapadas e que reiteram ainda mais meu suposto desarranjo. Não os culpo, nem muito menos me ofendo. Pelo contrário, vejo nesse equivocado terror uma prova de amor involuntária e até mesmo irônica. Se fosse possível uma volta ao tempo, dessa vez mais cuidadosa, perceberiam que o pior não está por vir, essa fase, por enquanto, é passado até onde eu saiba. O mal de outrora, com certeza existiu de fato, entretanto despercebido ou vivenciado na negação, como se o debate o alimentasse. Por favor, entendam o meu lado. Estou numa camisa de força, em um carro a caminho de um manicômio. Se me debato, faço jus ao meu diagnóstico e veriam nisso a certeza de terem feito a coisa certa. Mas se por outro lado fico apático, dou provas de conformação de um estado no qual eu não me encontro. Como proceder nesse caso? O procedimento é não proceder. É difícil dizer que larguei essa loucura de mão. Nessa história não há culpados e nem vítimas. Talvez não haja nada. Pensemos no futuro. Use suas orações para que estejam realmente errados. Por mim, por vocês e por todos os outsiders do mundo. Mas nesse momento sou eternamente grato pela preocupação e espero sinceramente ser motivo de orgulho um dia. Amo e amarei vocês para sempre.
"Mother I tried, please believe me
I'm doing the best that I can.
I'm ashamed of the things I've been put through,
I'm ashamed of the person I am.
Lá vinha ela descendo a rua. A bolsa pendente em um braço e os sapatos pendurados nas mãos do outro. Passos irregulares, como que desvia de pedras pontiagudas para não machucar seus pés já tão castigados pelos sapatos essa noite, ou mesmo evitar que a meia calça puída e esburacada por cigarros alheios se desfaça de vez antes de chegar em casa.
De chofre ela para e procura um espelho na bolsa. A busca bêbada desse objeto e a quantidade de coisas na bolsa resultam numa procura sem fim. Quando encontra o bendito espelho, acha melhor não conferir seu estado a essa altura da madrugada. Mas por coincidência ela encontra perdido no fundo da bolsa três reais e cinquenta centavos. Coincidência porque o botequim logo ao lado anuncia garrafa de cerveja por exatos três reais e cinqüenta centavos, e não tendo mais nada a perder essa noite, além dos tais três reais e cinqüenta centavos, Lívia viu nisso um chamado esotérico, ou mesmo uma lógica cabalística talvez, e decide entrar e pedir uma garrafa de cerveja.
Adentrando ao molambento recinto, ela pacientemente esperou dois minutos para ser atendida. Diz-se dois minutos, mas na ebriedade essa metragem de tempo tão artificial perde o seu caráter preciso. De modo que ao ser atendida, ela fez uma cara de quem ou esperou muito tempo ou não esperou nada, só podendo ela saber com precisão. Puxou um cigarro do bolso e quando a labareda do isqueiro estava frente a frente com seu nariz, não pode deixar de reparar então no cartaz do outro lado do estabelecimento. Pendurado ali em fonte Times New Roman e com bordas empoeiradas, engorduradas ou só sujas mesmo, algo estava para ela, assim como a runa suástica estava para os judeus. Ou seja, um aviso de proibido fumar.
Arrancou então a garrafa do balcão e juntas se dirigiram para o meio fio. Lá sentou e saboreou o gosto da noite perdida misturada ao sabor especial da última cerveja da noite. Nesse meio tempo, não deixou de reparar numa curiosidade absurda. Os bares ao longo da avenida em perfeita sincronia fecharam suas portas. O descer dos portões de ferro, um após o outro, como num efeito dominó, cada qual emitindo uma nota diferente com tamanha perfeição, que se houvessem bares o bastante, seria possível formar uma bela melodia. Melodia essa que serviria de trilha sonora para o que via ao seu redor. O desfile de prostitutas e travestis. Os adolescentes perdidos. Os jornaleiros já de pé em suas bicicletas. Os taxis passando a mil por hora...
Ao fim do espetáculo, e por assim dizer da cerveja e da última tragada, Lívia se levantou e novamente tentou entrar no bar. Tentou porque não reparou quão cheio o botequim se encontrara. Talvez não estivesse nesse estado momentos antes de se sentar na sarjeta, e possivelmente pelo fim do expediente dos donos dos outros bares, os clientes daqueles para ali se dirigiram. Tentou se enfiar no meio das pessoas para atingir o balcão e pagar o que devia. Empurrava de um lado, empurrava de outro, mas nada parecia mobilizar aquela multidão que se comunicava aos cochichos, que somados tornava-se um estardalhaço. Na sua honestidade insistente, com muito esforço esticou o braço e o máximo que pode foi enfiar sua mãozinha com unhas descascadas entre o labirinto de vãos formados pelos braços e corpos à sua frente. Foi quando jogou três moedas de um real e outra de cinqüenta centavos na direção do que parecia ser o balcão. Colocou o casco e o copo em um cantinho e continuou seu rumo.
Alguns passos mais a frente, já se preparando para atravessar a rua, ela sente uma mão repousar sobre seu ombro. Girou o pescoço já se preparando pra enxotar algum bêbado, ou qualquer desses malucos da madrugada, que ela tanto atraía. Mas não era um desses tipos desta vez. Era o dono do bar. Enquanto uma mão apoiava em um ombro da moça, a outra era estendida, num claro pedido de pagamaneto. Ora, mas qual pagamento? Ela já tinha pago o que tinha consumido. Que abuso era esse a essa hora do dia? Não deu atenção ao homem e viu que já era possível atravessar a rua. Seguiu em frente. Quando chegou do outro lado, o homem do bar lá estava de braços cruzados esperando por ela.
- O que você quer de mim? Eu já paguei o que devia.
- Ah é? Quando?
- Não consegui chegar até o balcão. Mas ainda assim joguei as moedas para dentro do bar.
- Isso é o que você diz, eu não vi moeda nenhuma.
Ficaram nesse bate-boca até que Lívia decidiu sair andando, uma vez que aquele papo não chegaria a lugar algum, e nem ela tinha mais dinheiro para oferecer de bom grado, apenas pra dar um fim àquela situação ridícula. Começou a andar rápido, e os passos atrás dela também, quando foram vistos estavam os dois “correndo”. Correndo entre aspas mesmo, porque ela com seu fôlego de fumante, carregando os sapatos na mão, e bolsa no ombro, e o homem grande e gordo, era mais um padeiro português, com direito a barriga, bigode e caneta atrás da orelha, não praticam o que se chama de corrida. Quem os via poderia até desconfiar que estivessem voltando da praia, ainda praticando jogging, se não fossem as roupas pouco apropriadas. Duas voltas no quarteirão e essa cena terminou com o cansaço mútuo dos competidores.
- Eu desisto disso! Não tenho dinheiro, olha na minha bolsa. Já disse que paguei com minhas últimas moedas – Disse ela ofegante.
- Eu acredito em você. Agora já pra minha cozinha. Você vai lavar a louça, por quanto tempo eu a achar necessário. – Interrompeu-a.
Lívia cansada da noite, da corrida e dessa suposta dívida esdrúxula, acompanhou o homem até o bar. Pedindo licença aqui e ali aos clientes que nem se manifestaram com toda a cena anterior, conseguiram chegar dentro da área de atendimento. O homem indiciou o que era pra ser feito, alertou para alguns truques domésticos, vícios dos objetos que só o dono de uma cozinha é capaz de notar, e a moça obedeceu-o calada com uma resignação indolente. Queria acabar logo com essa história. Queria só ir pra casa e descansar. E até poderia dizer que queria lavar a louça, se isso agilizasse mesmo esse processo. O problema é que o dia estava amanhecendo. As pessoas não iam embora. O homem não achava ainda que era o suficiente. E ela continuava pagando a sua dívida de três reais e cinqüenta centavos.
O relógio ia dar 10 horas da manhã. Lívia irritou-se e perguntou ao homem:
- Quando vou poder ir embora? Quando essa gente vai embora?
- Essa gente não vai embora nunca. Eles moram aqui assim como eu. – Disse o dono do bar com uma calma que delimitava sua superioridade em relação à sua atual subalterna.
- E como consegui entrar nesse bar?
- Você entrou pela porta da cozinha. Eis o mistério. Agora pega suas coisas e vá embora. Pela porta da cozinha. Ficarei com pé esquerdo do seu sapato.
Lívia obedeceu. Foi lavar as mãos na pia, pegou sua bolsa, e o pé direito do seu sapato. Só então percebeu o quão estranho era aquele estranho ficar com um pé do seu sapato.
- Por que você vai ficar com o pé esquerdo do meu sapato?
- Talvez você precise de alguém para lavar sua louça quando você estiver de ressaca logo mais. Você tem aqui um crédito e este pé o meu pagamento.
- Sendo assim, fique com o direito também.
Antes de sair pela porta da cozinha, reparou que suas moedas estavam jogadas ainda no chão, próximo ao freezer enferrujado. Abaixou para pegá-las e foi embora sem olhar para o homem. Finalmente deixou pra trás aquela falação sem fim, aquele hálito de álcool, e as moscas matinais que se proliferam em ambientes onde cervejas velhas foram derramadas. Na esquina próxima estava um pedinte. Para não correr o risco de não conseguir voltar pra casa de novo, ela deu seus três reais e cinqüenta centavos ao mendigo. E seguiu seu caminho sob sol e segurança rumo à sua cama, mas pensando que parte da sua doação poderia comprar um café na padaria embaixo do seu prédio.
É o sono, a preguiça, a procrastinação É a falta de viço, a oscilação de auto-estima, a inadequação É o ceticismo, o pessimismo, a indiferença É a matemática, o abismo, a doença
É a realidade adicionada a tudo isso que não permite ser quem eu sou.
Uma tarde em um bar de Niterói há quase um ano, minha querida amiga Patrícia Machado escreveu isso no meu caderno sobre mim. Como quase perdi em um assalto, vou deixar aqui registrado e não precisar mais depender da boa vontade dos maus homens em suas motos e seus velhos revólveres gastos que talvez nem funcionem mais.
Niterói, 14 de Maio de 2009
Envolto nas paredes e seus azulejos. Pensei no futuro, no tempo, no escuro, no ganhar e perder de tudo. Acreditei nas minhas ideiais Nas bolhas do copo No vestido solto Nas cadeiras sem gente Nas carnes sem dente Pensei no vai e vem dos burros, nos fiscais da natureza e seus saltos. Depois de vários copos de entorpecentes, pensei se sou eu ou uma janela de mim, se sou ou não, uma sucessão pobre se sins. Envolto nas paredes dessa caixa de um bar, de um lar que me envolve, sou quem sou sem ser, e que quer, sem querer... Me trago assim por esses caminhos estranhos, na contramão do meu destino que me espera, na solidão de um Eu que mais sonha no sonho na escuridão de quem espera. Assim sou eu.
Se fosse o monstro do armário, me matava. Levava tudo que para mim era importante. E se enganaria. Se tivesse vingança, menos mal. A perturbação vem do laconismo e a indiferença. E me perdoaria. Se fosse escolher, seria um artista. Te transformaria em personagem. Riria de você e de mim. E quando acordasse estaria dentro de uma garrafa vazia de rum. E os rins numa banheira me tiraria.
Apesar da moral católica, anti-eutanásia, tenho meu direito de hora em hora escolher morrer mais um pouquinho. De que outra forma teria eu, a oportunidade de me isolar com a legitimidade da sociedade, algumas vezes por dia, para reavaliar a vida, o montante que se formou desde a última pausa? É no entrar do alcatrão, absorção da nicotina e no expirar do gás carbônico que tudo fica claro pra mim. Justifico meus erros, conscientes ou inconscientes, nessa autoflagelação. Comemoro minhas vitórias com esse delicado prazer. Tímido que sou, me escondo do mundo dentro dessa fumaça branca. Arrumo o que fazer com as mãos, quando o dia é quente e não as dá pra enfiá-las em um confortável casaco. Ganho mais firmeza no gesticular. Tenho companhia na madrugada e no insistente tédio existencial. Tenho pequenas doses de subversão. Tenho pílulas ansiolíticas etéreas. Tenho motivos para sair de casa nos dias tristes ou mesmo de tempestade. Tenho quem encontrar todos os dias de manhã, mesmo quando acordo sozinho. Viro criança a cada 40 minutos para brincar com fogo sem mijar na cama. Apesar de tudo, meu amigo e eu iremos nos separar. Um dia. Mais especificamente na segunda-feira próxima, ou então no meu aniversário, ou quem sabe no ano novo, ou melhor, só vamos nos despedir quando eu conseguir aquele emprego. Ou quem sabe, não sei. Um dia vamos!
"Arte de Fumar Desconfia dos que não fumam: esses não têm vida interior, não tem sentimentos. O cigarro é uma maneira sutil, e disfarçada de suspirar" Mário Quintana
Shirley expos num site de relacionamentos seus problemas. Ela tá precisando de ajuda e urgente. Repassem. Twittem, discutam no café da manhã com os amigos! O bicho tá pegando pro lado dela, mermão! Vamos ajudar!
"Tive alguns problemas com a polícia federal. Apurei umas notícias do dossiê gato preto e estou ameaçada de deportamento. Deram-me 2 semanas para sair do país. Para piorar meu infortúnio eu não tenho dinheiro suficiente para a viagem. O superior do departamento de serviços excepcionais sugeriu-me que eu me tornasse travesti e partisse para Itália. Ele inclusive me indicou um terceiro que se engajaria por mim desse processo e de todo o ciclo burocrático em volta. Entretanto, nasci mulher. De maneira que peço a doação de qualquer quantia para mudar para o sexo masculino com Roberto Rey, o dr Hollywood, depois virar travesti e só então partir para meu triste fim nos climas temperados da região de Toscana, na península itálica. Tudo isso em 2 semanas. Conto com sua colaboração.
Temos sempre pouco a dizer. Mas muita intenção de falar. Nossos pensamentos representados inevitavelmente em forma de palavras, blocos de conceitos, são ora concisos demais, ora prolixos demais. Ainda não inventaram um idioma que os represente como deveria. No papel ou no falar tudo se perde. O banal e o genial confundem-se na entonação, na escolha ou na recepção do que pensávamos transmitir. Não importa se boa ou má, nossas intenções parecem sempre vulgares, pueris, ordinárias e egocêntricas. Queríamos falar nossos pensamentos e não falar mais deles. Teorizar nossos sentimentos. Sistematizar o que nos agrada ou desagrada. Se nos falta coerência, isso certamente não é um problema nosso. Dentro de nós tudo faz mais ou menos algum sentido. Mesmo que por um milésimo de segundo.
I find myself on the train. There are passengers in front of my sit, but the long trip makes me avoid looking them in the eye. To the others, who are travelling by my side, I can just imagine how they look like, or what they are doing. I have learned how to improve my peripheral vision, all these years stalking strange and totally ordinary people. At this moment for example, this guy in black on my right, or the blond girl with curly hair on my left, I could bet they were sleeping! How wrong I was! When they got, both, in theirs station I could perceive. The man wearing black clothes, actually was a blond woman with curly hair. And the blond girl that I thought, it was just a teenager with a fashion hat. Funny, ´cause if I didn’t have to go so far I would never find out this extremely important information. God bless me! Now I can really die in peace!
Cycling in the very first morning The cold hot Rio weather The search for the so called Endorphin RUN RUN RUN The music of past insane nights Shouting in your years Reminding the taste of alcohol and the smoke RUN RUN RUN The kids waiting for their vans to go to school The Backpacks on shoulders And bored gazes on their faces RUN RUN RUN The sun, the vitamin D, the almost empty streets The workers arriving in the uncountable buildings in construction While old ladies working out to live a little bit more RUN RUN RUN The smell of coffee and fresh bread, the retired reading the news The dogs taking a ride with their owners The drunken men trying to get home since last night RUN RUN RUN The sun gets hotter, the sweat, the weariness Time to go! The shower, the breakfast, the sleep Life’s just begun. For the others. Never for you.
- Sim e não - Disse ela. Respirou, suspirou, hesitou e arriscou um não. Foi embora. Se arrependeu. Voltou atrás. E encontrou o vazio. O vazio do arrependimento. Entre Paris e Londres, escolheu Jaguariúna. No que chegou na rodoviária, decidiu sentar e esperar. Esperar o próximo ônibus de volta pra casa.
A gente se livra da Apatia, mas corre o risco da tristeza Se livra do Pânico, mas ainda corre o risco de morrer Se livra da Anorexia, mas corre o risco da obesidade Se livra da Histeria, mas corre o risco de se tornar um viciado em Crack Se livra do TOC, mas cultiva hábitos igualmente inúteis Se livra da Fobia Social, mas não dos seus semelhantes
A gente não se livra do Nascimento e corre o risco do Suícidio Ou pior: da Reencarnação!
Look those kids there Laying down on the beach Why are they looking for us? Here in this spaceship Whith Marte as neighboor We can´t stay here anymore
Hey, little demon Do you see what I see? Why did that light move so slow? Maybe it was a shooting star or even a satelite But I´m afraid it was a U.F.O.
Please Mr. Alien You can abduse me But don´t make me pregnant so soon
It was a pleasure Dear human But your son´s already born on the moon
Preciso de um tempo ainda não inventado Superior às noções da física Um tempo além das leis da relatividade Preciso de um tempo metafísico O tempo vago que me é emprestado está vazio Por hora, não sei como recheá-lo Preciso de tempo para fazer tudo em quanto há tempo mesmo tendo e não tendo o tempo que eu quero Ontem, hoje ou amanhã Mas agora, nesse momento, Eu preciso desse tipo de tempo Ou dar um tempo de mim.
Por onde andaram esses sapatos? Que chão pisara antes de te conhecer? Em quem pisou? Poderosos, submissas, drogados, prostitutas, homens de família? Por cima deles, inúmeras calças com barras puídas repousaram... Eles não têm memória, esquecem de amarrar seus cordões. Também não sabem se virar, em que buraco entrar e sair, de forma cruzada ou não. Ignoram o que muitos queriam saber. Na sua inocência, embaixo da cama depois de dias perambulando a esmo, Não se deram conta dos ruídos, dos movimentos, dos gritos, espasmos e orgasmos. Hoje, de solados gastos, eles vão pro lixo. Sem me contar nada da sua vida.
Há uma página em branco. Está diante de mim. As letras, palavras, frases e pontos estão todos lá. Os parágrafos, travessões e reticências também. Todos ocultos na brancura do papel ou dentro da caneta. Num insight, dessa pálida imensidão, lá surgem eles em tinta azul. Há uma página em branco dentro de mim.